terça-feira, 6 de maio de 2008

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Este blog contém logo abaixo trinta referências bibliográficas relacionadas ao assunto previamente explicado no post correspondente. Logo em seguida 20 anotações em forma de diário de pesquisa sobre o tema a ser desenvolvido em minha monografia. Os diários serão apresentativos. Boa leitura.

Referências bibliográficas

As trinta referências bibliográficas que serão citadas abaixo estão relacionadas ao tema que pretendo estudar para a composição de minha monografia. Elas atingem à área literária e filosófica, fazendo um elo entre essas duas matérias. Procuro identificar as influências existencialistas nos contos de "Laços de família", de Clarice Lispector. Para as presentes referências selecionei livros que me auxiliaram a ter uma visão mais clara e abrangente sobre esse tema, bem como seus desdobramentos, os assuntos mais pesquisados são: O conto, a modernidade e pós-modernidade, Clarice Lispector e Existencialismo. Algumas referências estão ligados de modo menos direto, mas servem de apoio para se atingir o sucesso da pesquisa. Todos eles foram úteis, bem como as revistas e os sites nos quais pesquisei.
Os meios utilizados foram os físicos: Biblioteca Central da Universidade Federal de Goiás, um acervo pessoal sobre assuntos literários, e o meio virtual: a internet e suas várias possibilidades de pesquisa. Agradecimento informal aqui a todos os autores citados, e meu grande respeito.




BOSI, Alfredo. Dialética da colonização. São Paulo, companhia das letras, 1992. 403 p.

Assunto: literatura brasileira.

“ Estamos acostumados a falar em cultura brasileira, assim, no singular, como se existisse uma unidade prévia que aglutinasse todas as manifestações materiais e espirituais do povo brasileiro. Mas é claro que uma tal unidade ou uniformidade parece não existir em sociedade moderna alguma e , menos ainda, em uma sociedade de classes. [...]”


MOISÈS, Carlos Felipe. O desconcerto do mundo, do renascimento ao surrealismo. São Paulo, editora escrituras, 2001. 351p.

Assunto: O desconcertante na literatura.

“[...] De fato, lidar com o tema do desconcerto, inocente investigação literária, pode de algum modo afetar nosso senso de equilíbrio e proporção, não porque passemos a nos dar conta, mais acuradamente, desta ou daquela reviravelta súbita, mas, ao contrário, porque deixa meios de nos surpreender com o fato de estar tudo, mesmo, fora de prumo.”


CANDIDO, AntÔnio. Formação da literatura brasileira. Belo Horizonte, Itatiaia limitada, 1997.

Assunto: Características da literatura brasileira.

“Entre a independencia e a maioridade, a referida elaboração se deu ao longo de certas linhas, definidas pouco a pouco e afinal, fundidas (...)1) O Brasil tem uma tradição literária própria; 2) Há nela elementos próprios que é preciso se desenvolver; 3)A consequência será a formação de uma literatura nova, baseada em formas e sentimentos renovados, adequados a um país jovem.”


TELES, Gilberto Mendonça. Vanguarda européia e modernismo brasileiro. Rio de Janeiro, editora vozes, 1972.

Assunto: Modernismo na arte brasileira.

“Nenhum preconceito é mais pertubador à concepção da arte que o da beleza. Os que imaginam o belo abstrato são sugestionados por convenções forjadoras de entidades e conceitos estéticos sobre os quais não pode haver uma noção exata e definitiva. Cada um que se interrogue a si mesmo e responda que é a beleza? Que repousa o critério infalível do belo? A arte é independente desse preconceito”


FERNANDES, José. O existencialismo na ficção brasileira. Goiânia, editora da universidade Federal de Goiás, 1986. 270p.

Assunto: A inflência do existencialismo na literatura brasileira.

“Tratando-se de uma filosofia que tem por objetivo especular a existÊncia e, sendo a existÊncia mutável e mutante, compreende-se quase ou total impossibilidade de estabelecer um sistema filosófico da existência que seja homogêneo (...). A complexidade da existência não admite a rigidez metódica dos sistemas filosóficos que partem de pressupostos abstratos. Assim, justifica-se a profusão de pontos de vista em torno dos conceitos fundamentais da filosofia existencialista, ou seja, a essência e a existência.”


HUGO, Victor. Do grotesco ao sublime. Trad. Célia Berrettini. São Paulo, editora perspectiva, 2002.

Assunto: Uma visão sobre a melancolia.

“(...) É então que, com o olhar fixo nos acontecimentos ao mesmo tempo visíveis e formidáveis e sob a influência deste espírito de melancolia cristã e de crítica filosófica que notávamos há pouco, a poesia dará um grande passo, um passo decisivo, um passo que, semelhante ao abalo de um terremoto, mudará toda a face do mundo intelectual”


PICCHIA, Menottie del. Arte moderna, In: conferência pronunciada na segunda noite da semana de 22. Transcrita em “ O curupira e o carção, obra coletiva do autor Plínio Salgado e Cassiano Ricardo, São Paulo, Editorial Hélios Limitada, 1927.

Assunto: A necessidade de uma inovação literária.

“Colocando o problema da reforma estética entre nós, pouco se salva do passado. Tudo, quase, vai a vaso. A liquidação literária, no Brasil, assume proporções de queima.”


LISPECTOR, Clarice. Laços de família. Rio de Janeiro, editora José Olympio, 1978. décima edição.

Assunto: Traços de existencialismo.

“(...) –O que tens? (...)

Obstinada, ela não saberia responder, estava tão rasa e princesa que não tinha sequer onde se lhe buscar uma resposta.”


SARTRE, Jean-Paulo. O imaginário - psicologia fenomenológica da imaginação. Trad. Arlette El Kaiim-Sartre. São Paulo, editora ática, 1996.

Assunto:Ações que indicam uma inquietação na literatura.

“Vômitos, náuseas, dilatação pupilar, reflexos de convergência ocular, ereção parecem pertencer, com os sentimentos correspondentes, à camada estritamente constituinte. Nada mais fácil de compreender se admitimos que a imagem não é um simples conteúdo da consciência entre outros, mas uma forma psíquica. O resultado é que o corpo inteiro colabora na constituição da imagem.”


LISPECTOR, Clarice. Água viva. Terceria edição. Rio de Janeiro, NOva Fronteira, 1978.
Assunto: Questionamentos de um estado ‘particular’.

"(...) Estou atrás do que fica atrás do pensamento (...) Estou num estado muito novo e verdadeiro, curioso de si mesmo, tão atraente e pessoal a ponto de não poder pintá-lo ou escrevê-lo (...)".

FROMM, erich. . A linguagem esquecida: Uma introducção ao entendimento dos sonhos, conto de fadas e mitos. Trad. Octávio Alves Velho. Rio de Janeiro. Har editores,1983, oitava edição . 190p.

Assunto: A simbologia auxiliando o entendimento.

" O que é um símbolo? Costuma-se definir símbolo como "algo que representa outra coisa". Essa definição parece um tanto decepcionante. Torna-se mais interessante, entretanto, caso no interessemos pelos símbolos que são expressões sensoriais da visão , audição , olfato e tato como representando "outra coisa" que é uma experiência interior, um sentimento ou pensamento. Um símbolo dessa espécie é algo exterior a nós mesmos; o que ele simboliza é algo dentro de nós. A linguagem simbólica é aquela por meio da qual exprimimos experiências interiores como se fossem experiências sensoriais, como se fosse algo que estivessemos fazendo ou que fosse feito com relação a nós no mundo dos objetos. A linguagem simbólica é uma língua onde o mundo exterior é um símbolo do mundo interior, um símbolo de nossas lmas e de nossas mentes."

GRECO, Milton. A aventura humana entre o Real e o Imaginário. São Paulo: editora perspectiva.1987. 225 p.
Assunto: As particularidades humanas.

"A aventura humana é muito mais do que a aventura singular de cada um de nós, porque somos hoje o encontro e o produto de 15 bilhões de anos de existência deste ciclo do Universo, que se expressam, de modo probabilístico, no nosso ser e no nosso aventurar. Também é muito mais do que a aventura de cada um, na medida em que nada existe solto no universo, tudo está ligado a tudo, e o que somos e o que expressamos a tudo se liga, em tudo se reflete, num compromisso total e definitvo."

COUTINHO, Evaldo. A visão existenciadora. São Paulo. Editora Perspectiva,1978. 256p.
Assunto: existencialismo.

"[...] A dependerem de nossas deambulações, salvo nos momentos em que as faces se encaminham para nós, ou as anotamos em virtude de interpostos meios, e então se trata de um estar sema limpidez da presença, as efígies da ausencia nos aguardam de seus recantos a fim de que, pelo favorecimento de nosso intuito ou do acaso em nosso trânsito, elas se verifiquem em nós; e assim obtenham o existir em nós que é o existir da última instância e o único a lhes assegurar a equivalência com os demais seres da ordem fisionômica.[...]"

BLANC, Mafalda de Faria. Estudos sobre o ser II. Lisboa:Fundação Calouste Gulbenkian,2001.
Assunto: Filosofia existencial.

" Na sua limitação e vazio, o ser é também o absolutamente negativo, idêntico ao nada (nichts) e este, na sua imediatez, é o mesmo que o ser. Tal identidade do ser e do nada é o passar (übergehen) de um para o outro na unidade de uma pertença recíproca, a qual, por incluir em si a antítese na sua total imediatidade (a diferença não está aqui ainda determinada), não é pura relação a si imóvel, mas a inquietude (unrube) em si."

GRINGS, Don Dadeus. O homem diante do universo. Porto Alegre: EDIPUCRS.1995.
Assunto: Pensadores existencialistas.

"Hegel elabora um novo método, que parte da tese, como a idéia em si, num eterno solilóquio; passa pela antítese, enquanto a Idéia se aliena nem processo que vai para o tempo e o espaço; e volta para a síntese, num processo ascecional, orientado por sábia finalidade."

TREVIZAN, Zizi. A reta artística de Clarice Lispector. São Paulo: Editora Pannartz,1987.
Assunto: Características existenciais na obra de Clarice Lispector.

"O conflito existencial configurado nos textos de Clarice Lispector acentua-se no reconhecimento da impossibilidade de encontrar a "grande resposta" a todas as indagações filosóficas. O texto surge como desabafo íntimo e solução romanesca do conflito -"O que salva então é escrever distraidamente". A carga experimental da autora é traduzida na ficção, sob a ótica de uma personagem narradora. Através de uma escritura particular conotativa, imprimem-se, no texto, a atitude dialogante e a descida incontrolável às infra-estruturas."


LISPECTOR, Clarice. Perto do coração selvagem. oitava edição. Rio de Janeiro, Nova Fronteira. s/d.
Assunto: Busca por respostas sobre a vida.

" [...]sou tão feliz em sentir que me calo para sentir mais; foi um silêncio que nasceu em mim uma teia de aranha tenra e leve: esta suave incompreensão da vida que me permite viver. [...]"


LISPECTOR, Clarice. A paixão segundo G.H. Sétima edição. Rio de Janeiro, NOva Fronteira, 1979.
Assunto: A aproximação ao nada.

" A hora de viver é tão infernalmente inexpressiva que é o nada. Aquilo que eu chamava de "nada" era no entanto tão colado a mim que me era...eu? portanto se tornava invisível, e tornava-se o nada (...)"

PALMA, Moacir Dalla. Cobradores pós-modernos. Disponível em: < http://e-revista.unioeste.br/index.php/trama/article/view/216/151 > acesso em 26 de abril de 2008. 17:31:06.

Assunto: Pós-modernismo e suas caracteristicas.

“(...)o pós-modernismo torna-se um movimento

intelectual de questionamento, que ao pluralizar as percepções da

realidade enfatiza as transformações setorizadas. Isto é resultado de

lutas desencadeadas no cotidiano pelas minorias sociais, em que a

oposição entre centro e margem demonstram duas realidades

autônomas e homogêneas, criando desnivelamentos entre as classes.

Isso favorece a abordagem a partir do múltiplo, até mesmo pela

formação étnica heterogênea do Brasil. Donde o descentramento do

indivíduo fica evidente a cada nova linha escrita pelos

contemporâneos.”

MOISÉS, Massaud. A criação literária. São Paulo, editora cultrix, décima edição de ordem, s/d.

Assunto: As especificidades do gênero conto.

“O conto de personagem é menos comum. (...) O contista centra sua atenção no exame da personagem, mas tendo em mira que deve obedecer à conjuntura própria do conto, no galope peculiar à narrativa curta e visando à unidade que lhe é inerente. São exemplo desse tipo de conto:” La Ficelle”, de Maupassant, “ Le Remplaçant”, de François Cappée (...). Na literatura brasileira, exemplifica à perfeição esse tipo de conto a obra-prima que é “Feliz aniversário” de Clarice Lispector (...).”

ENGELMANN, Magda Shirley Carvalho. O jogo elocucional feminino. Goiânia, editora da UFG, 1996. 143p.

Assunto: Características de narrativas femininas.

“Quando a mulher escreve, está apontando para o seu próprio eu, mas com seu discurso se disfarça nos vários ‘eus’ que engendra na sua composição ficcional, tentando se (re)cobrir ou mesmo recobrar o espaço em que antes se viu inscrita como imagem-receptáculo das representações masculinas. Os disfarces, as mais variadas máscaras com que a mulher autora busca (re)cobrir-se no discurso mostram o deslizamento do significado, que é a sua luta para a constituição de fala própria -fala-de-mulher-, sob o significante da mulher-que-fala, querendo (inter)agir no (in)consciente do discurso”.

GILES, Thomas Ranson. Historia do existencialismo e da fenomenologia. Segunda edição, São Paulo, Editora da universidade de São Paulo, 1975.

Assunto: Existencialismo como corrente filosófica.

“Em suas origens, a fenomenologia, longe de ser um existencialismo, era uma filosofia das essências. Longe de se interessar pelo conteúdo existencial do fenômeno, que e aquilo que sugere a cada instante a própria experiência, a fenomenologia visava a generalização de seu emprego, considerado universal da pratica. A fenomenologia colocava entre parênteses toda posição da existência e todo dado de fato para desengajar as essências ideais.”

PÓVOAS, Jorge. Angústia e má-fé na liberdade Sartreana. Ideação, Feira de Santana, v.1, n.1, p.94-99, 2001.

Assunto: Caraceterística do existencialismo.

“[...]O fundamento do ser na analítica sartriana é o `para-si`. Um ser que, em seu modo de existir, está condenado a escolher e ao escolher, pode negar-se a si mesmo. O ser aparece como `em si` e como `para si`. O ser `em si` é aquele que apresenta como coisa, como dado, como compacto. O ser `para si` é aquele que se manifesta como vazio, que se preenche de sua própria ação livre; propriamente, é o ser humano como sujeito. O ser `em si`, só é possível na relação com aquele que o percebe, ou seja, com o `para si`. Temos então, o que Sartre chama de fundamento ontológico do conhecimento. A consciência é o primeiro ser, ao qual todos os demais aparecem. Ela é o absoluto em relação aparecer relativo dos fenômenos.”

SILVA, Cléa Goes e. A existência do ser-para-si segundo Jean Paul Sartre.Crítica, Londrina,v.4, n.15, p.327-341. abr/jun 1999.

Assunto: Características da existência.

“É a existência que distingue, dentre os seres vivos, uma cuja estrutura implica uma consciência com poder nadificante e que, por isso, é liberdade que cria a sua própria essência e os valores, organizando e hierarquizando estes, e que é espírito na plenitude do agir.”

LAGOAS, Juliano, OLIVEIRA, Wanderley.A liberdade sartriana.Ideação, Feira de Santana, n.13, p.51-64, junh./jan. 2004.

“Para Sartre, a liberdade é o fundamento sem fundamento de toda essência, é a potencia constitutiva de toda ação. Se procuramos encontrar sua essência, será necessário constituir uma nova potencia constitutiva que a constituiria, o que nos remete novamente a mesma tarefa, a saber, qual a essência desta nova potencia? e, assim, ad infinitum. Na impossibilidade de uma descrição que capture sua essência ou de uma definição que a aprisione num conceito, o para si pode ter da liberdade apenas uma certa compreensão. Esta compreensão possível da liberdade, Sartre propõe alcançá-la. “

BACHELARD, Gaston. A poética do devaneio. São Paulo, Martins Fontes, 2001.

Assunto: A angustia na literatura.

“[...] Todo livro angustiante pode então proporcionar uma técnica de redução da angustia. Um livro angustiante oferece aos angustiados uma homeopatia da angustia. Mas essa homeopatia age sobretudo numa leitura meditada, na leitura valorizada pelo interesse literário. Então dois planos do psiquismo se cindem, o leitor participa desses dois planos e, quando se torna bastante consciente da estética da angustia, está bem perto de descobrir-lhe a facticidade. Porque a angustia é factícia: somos feitos para respirar livremente.”

BRASIL, Assis. Clarice Lispector.Editora organização Simões. Rio de Janeiro, 1969. 139p.

Assunto: Particularidades da obra de Clarice Lispector.

“Como pensamento filosófico estratificado, é o existencialismo Kierkgaardiano que mais se aproxima da atitude tomada por Clarice Lispector em sue último romance: comer barata tem o sentido dupolo de comer a essencia e de flagelação –a queda não é a de Albert Camus: cair para compreender ou acietar o absrudo. A queda é mesmo de Kierkgaard: cair para se levantar purificado.”

SANTOS, Jeana Laura C. A estética da melancolia em Clarice Lispector. Florianópolis, editora da UFSC, 2000. 170p.

Assunto: Características de existencialismo em Clarice Lispector.

“ [...] Sendo a melancolia um sintoma crucial de desconforto, ela é, ao mesmo tempo, a única via de acesso possível para se dramatizar escolhas e rupturas e apontar possíveis caminhos. Camo diz Clarice, numa frase lapidar melancólica ‘só voa o que tem peso’.”.

ROMERO, Silvio. Estudos de literatura contemporrânea.. Edição comemorativa. Org. Luiz Antônio Barreto. Rio de Janeiro, Ed. IMAGO, 2002. 536p.

Assunto: A convulsão de sentimentos humanos.

“O papel da tristeza e da alegria na literatura contemporânea é um sintoma bem pouco para contentar. Os poetas lançaram –se precipitadamente além do termo da estância querida ao seu ideal: a melancolia deixou de ser um estado mais ou menos passgeiro do espírito para se tornar extremo despropósito!”

PONTIERI, Regina.Uma poética do olha. [tese de doutorado]. Disponível em: http://books.google.com/books?hl=pt-BR&lr=&id=Unio37tetAwC&oi=fnd&pg=PA7&dq=clarice+lispector+la%C3%A7os+de+familia&ots=xL3fKFNelg&sig=rrCI5GaT1-kguNkvNKbe73O9ZgY#PPA7,M1. Acesso em 5 mai.2008. 19:38:32

Assunto: Filosofia contemporânea na obra de Clarice Lispector.

“[...] é preciso ter em vista o projeto clariciano de destruição de uma certa concepção de sujeito, da qual decorre o objeto. E aqui recorro ao ensaio de Marilena Chauí “ a destruição da subjetividade na filosofia contemporrânea”, que historia o questionamento daquela concepção, vinculada ao cogito cartesiano, questionamento levado a cabo por vários pensadores neste século.”

Libertè.


"Liberdade é pouco, o que eu quero ainda não tem nome."

É impossível falar de existencialismo sem falar de Sartre, portanto aqui vou falar dele, mais diretamente das suas idéias de liberdade. Para Sartre o sujeito tem que ser livre, e ter liberdade para expressar seus desejos, sentimentos e angústias. Muitos existencialistas, talvez por causa de Sartre, são vistos como pessoas libertinas, sem moral ou escrúpulos. Nesse século nenhum filósofo difundiu tanto suas idéias quanto Jean-Paul Sartre, mas este foi visto como ofensivo. Para Sartre "a vida não tem sentido, Deus está morto e não existe lei moral, o homem é uma paixão inútil." (PENHA 1992, p.40). Ele defendia o existencialismo ateu, afirmando que este é o mais coerente, diz ainda que se Deus existe ele é o único ser onde a existência precede a exência.
Nos contos de "laços de família" também encontramos características sartreanas, como por exemplo no primeiro conto, no qual a personagem principal mergulha em um estranho desejo de liberdade, daí não quer mais ter compromissos sociais por exemplo, e pretende agir de acordo com seus instintos e desejos, como dormir excessivamente, por exemplo, coisa que não fazia até então. O trabalho não é especificamente sobre sartre, mas admitindo a impossibilidade de se falar em existencialismo sem citar esse grande nome creio que as vezes farei algumas relações, portanto valeu essa leve introdução às suas idéias.

Cartas para nós.


Hoje li várias correspondências de Clarice com sua família e com seus amigos, resolvi colocar aqui uma que Clarice recebeu de Carlos Drummond de Andrade, que foi publicada no ano passado.
Por coincidência a carta faz hoje 24 anos.


Querida Clarice:

Que impressão me deixou o seu livro!
Tentei exprimi-la nestas palavras:

– Onde estivestes de noite
Que de manhã regressais
com o ultramundo nas veias,
entre flores abissais?

– Estivemos no mais longe
que a letra pode alcançar:
lendo o livro de Clarice,
mistério e chave do ar.

Obrigado, amiga! O mais carinhoso abraço da admiração do

Carlos

P.S: O livro a que ele se refere é "onde estiveste de noite"

O novo e o incerto.


"Não se pode dar uma prova de existência do que é mais verdadeiro, o jeito é acreditar. Acreditar chorando."


A melancolia na contemporaneidade se tornou o alvo supremo dos sonhadores. O homem moderno e pós-moderno, sobretudo esse último, deixou de vivenciar uma melancolia coletiva, para viver uma melancolia ainda mais agravante, a da solidão. Existem dois tipos principais de melancolias, a ativa e a passiva, essa primeira, é a que causa melancolia aos outros, a segunda é a que torna-se melancólica apartir de outro. Para o pós-moderno, a única saída é a aceitação do mundo tal como está, a desesperança. O mundo contemporâneo nos faz questionar todas as nossas antigas certezas. O sistema, o mercado, tudo indica em nós uma mudança. Segundo Vilaça "com o excesso de escolha e a eliminação da possibilidade do escolher".

Um pouco de singeleza


"O que chamava de crise viera afinal. E sua marca era o prazer intenso com que olhava agora as coisas, sofrendo espantada." Clarice Lispector.


Todo esse assunto de guerra, de crises, de questionamentos está me deixando angustiada (a essa altura eu até deveria estar gostando da angústia, pois até aqui só me foi demonstrado que ela nada nos toma, só acrescenta), agora vou tentar ser mais singela, mesmo que isso fuja um pouco dos assuntos que venho tratando. Ora, não existe uma narrativa feminina sem que haja pelo menos um pouco de singeleza, penso.
Vou falar sobre transformação. Em literatura nada transforma, modifica, mais do que uma viagem. Sempre que um personagem entra em uma travessia (em Clarice Lispector até mesmo uma ida ao mercado é considerado uma travessia, e pode ser analisado como uma viagem), entra também em um processo de busca de identidade, de questionamento, de engrandecimento ou de perda. Em "laços de família", em "amor", e em tantos outros contos, há esse rito, essa purificação por parte do personagem, uma viagem que induz à mudança.
Qualquer viagem que fazemos, por menor que seja, nos possibilita a ver o mundo com outros olhos, a analisar a paisagem, as pessoas com olhos diferentes. Há também as "viagens no tempo", nessas os personagens lembram de sua infância, de sua antiga cidade, casa, pais, enfim... essa "viagem" a trasmutam e induzem-as à mudançã, ao questionamento existencial

A felicidade de ser infeliz


" A extrema felicidade se parece tanto com a infelicidade, ambas são tão dramáticas. Ambas são a vida." Clarcie Lispector.

Eu gostaria ainda de ter o que escrever sobre a felicidade e a infelicidade, segundo Clarice, mas a frase dela que escolhi para abrir meu diário de hoje se encaixou tanto com o objetivo que me propûs que as minhas palavras se tornarão muito vagas diante da dimensão do que ela apresentou tão sutil.
A infelicidade, a tristeza, têm um limiar tão tênue com a felicidade, a alegria, que esses muitas vezes se confundem. Essa é outra característica muito marcante na obra que selecionei para o estudo, do alegria profunda, vem o desespero, o temor; como se esses sentimentos "ruins" fossem necessários para que sejam valorizados os sentimentos bons. Para muitos dos existencialistas o homem só descobre-se como parte do universo quando questiona a sua participação no mundo, o seu "estar", e esse questionamento não passa sem que haja melancolia, tristeza, essas que serão recompensadas com grande alegria, e satisfação caso haja a plena realização da crise, caso seja resolvida a crise existencial pela qual o homem passa. O drama deve ser trazido a tona para que haja plenitude, e ele é trazido.