
"Minha tragédia estava em alguma parte. Onde estava meu destino maior? um que não fosse apenas o enredo de minha vida. A tragédia -que é a aventura maior nunca se realizara em mim." Clarice Lispector
Para Nietzsche só a tragédia pode dar dimensão à existência, e não se pode negar o teor trágico que existe em alguns contos da obra que por mim será pesquisada, laços de família. Hoje li uma correspondência de Clarice, uma carta que ela enviava a irmã, na qual dizia que tem muita vontade de aprender a odiar, pensando nessa sua vontade, a de odiar, Clarice escreveuo conto "O búfalo", que fala de uma mulher que vai em um zoológico e entra em estado epifânico, como em vários contos do livro. A tragédia, para muitos críticos e filósofos, em literatura representa a ascenção do ser, o meio pelo qual o ser pode se elevar, alcançando patamares inalcançáveis em um estado de normalidade. Nada mais sartreano. O homem precisa mergulhar na sua parte mais horrível para que possa alcançar a razão de seus atos, de suas vontades. O desejo de odiar, de matar, de morrer, talvez, seja um dos meios "anormais" com o qual o ser conta para atingir a plenitude e responder aos questionamentos propostos pelo existencialismo. Como Clarice admite por muitas vezes não ter "vivido" uma tragédia, não pôde atingir o ápice da existência, isso em sua pessoalidade, só no lugar mais profundo do desespero é que se pode encontrar o que se procura. E o que se procura afinal?
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