terça-feira, 6 de maio de 2008

Um pouco de singeleza


"O que chamava de crise viera afinal. E sua marca era o prazer intenso com que olhava agora as coisas, sofrendo espantada." Clarice Lispector.


Todo esse assunto de guerra, de crises, de questionamentos está me deixando angustiada (a essa altura eu até deveria estar gostando da angústia, pois até aqui só me foi demonstrado que ela nada nos toma, só acrescenta), agora vou tentar ser mais singela, mesmo que isso fuja um pouco dos assuntos que venho tratando. Ora, não existe uma narrativa feminina sem que haja pelo menos um pouco de singeleza, penso.
Vou falar sobre transformação. Em literatura nada transforma, modifica, mais do que uma viagem. Sempre que um personagem entra em uma travessia (em Clarice Lispector até mesmo uma ida ao mercado é considerado uma travessia, e pode ser analisado como uma viagem), entra também em um processo de busca de identidade, de questionamento, de engrandecimento ou de perda. Em "laços de família", em "amor", e em tantos outros contos, há esse rito, essa purificação por parte do personagem, uma viagem que induz à mudança.
Qualquer viagem que fazemos, por menor que seja, nos possibilita a ver o mundo com outros olhos, a analisar a paisagem, as pessoas com olhos diferentes. Há também as "viagens no tempo", nessas os personagens lembram de sua infância, de sua antiga cidade, casa, pais, enfim... essa "viagem" a trasmutam e induzem-as à mudançã, ao questionamento existencial

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