terça-feira, 6 de maio de 2008
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Referências bibliográficas
Os meios utilizados foram os físicos: Biblioteca Central da Universidade Federal de Goiás, um acervo pessoal sobre assuntos literários, e o meio virtual: a internet e suas várias possibilidades de pesquisa. Agradecimento informal aqui a todos os autores citados, e meu grande respeito.
BOSI, Alfredo. Dialética da colonização. São Paulo, companhia das letras, 1992. 403 p.
Assunto: literatura brasileira.
“ Estamos acostumados a falar em cultura brasileira, assim, no singular, como se existisse uma unidade prévia que aglutinasse todas as manifestações materiais e espirituais do povo brasileiro. Mas é claro que uma tal unidade ou uniformidade parece não existir em sociedade moderna alguma e , menos ainda, em uma sociedade de classes. [...]”
MOISÈS, Carlos Felipe. O desconcerto do mundo, do renascimento ao surrealismo. São Paulo, editora escrituras, 2001. 351p.
Assunto: O desconcertante na literatura.
“[...] De fato, lidar com o tema do desconcerto, inocente investigação literária, pode de algum modo afetar nosso senso de equilíbrio e proporção, não porque passemos a nos dar conta, mais acuradamente, desta ou daquela reviravelta súbita, mas, ao contrário, porque deixa meios de nos surpreender com o fato de estar tudo, mesmo, fora de prumo.”
CANDIDO, AntÔnio. Formação da literatura brasileira. Belo Horizonte, Itatiaia limitada, 1997.
Assunto: Características da literatura brasileira.
“Entre a independencia e a maioridade, a referida elaboração se deu ao longo de certas linhas, definidas pouco a pouco e afinal, fundidas (...)1) O Brasil tem uma tradição literária própria; 2) Há nela elementos próprios que é preciso se desenvolver; 3)A consequência será a formação de uma literatura nova, baseada em formas e sentimentos renovados, adequados a um país jovem.”
TELES, Gilberto Mendonça. Vanguarda européia e modernismo brasileiro. Rio de Janeiro, editora vozes, 1972.
Assunto: Modernismo na arte brasileira.
“Nenhum preconceito é mais pertubador à concepção da arte que o da beleza. Os que imaginam o belo abstrato são sugestionados por convenções forjadoras de entidades e conceitos estéticos sobre os quais não pode haver uma noção exata e definitiva. Cada um que se interrogue a si mesmo e responda que é a beleza? Que repousa o critério infalível do belo? A arte é independente desse preconceito”
FERNANDES, José. O existencialismo na ficção brasileira. Goiânia, editora da universidade Federal de Goiás, 1986. 270p.
Assunto: A inflência do existencialismo na literatura brasileira.
“Tratando-se de uma filosofia que tem por objetivo especular a existÊncia e, sendo a existÊncia mutável e mutante, compreende-se quase ou total impossibilidade de estabelecer um sistema filosófico da existência que seja homogêneo (...). A complexidade da existência não admite a rigidez metódica dos sistemas filosóficos que partem de pressupostos abstratos. Assim, justifica-se a profusão de pontos de vista em torno dos conceitos fundamentais da filosofia existencialista, ou seja, a essência e a existência.”
HUGO, Victor. Do grotesco ao sublime. Trad. Célia Berrettini. São Paulo, editora perspectiva, 2002.
Assunto: Uma visão sobre a melancolia.
“(...) É então que, com o olhar fixo nos acontecimentos ao mesmo tempo visíveis e formidáveis e sob a influência deste espírito de melancolia cristã e de crítica filosófica que notávamos há pouco, a poesia dará um grande passo, um passo decisivo, um passo que, semelhante ao abalo de um terremoto, mudará toda a face do mundo intelectual”
PICCHIA, Menottie del. Arte moderna, In: conferência pronunciada na segunda noite da semana de 22. Transcrita em “ O curupira e o carção, obra coletiva do autor Plínio Salgado e Cassiano Ricardo, São Paulo, Editorial Hélios Limitada, 1927.
Assunto: A necessidade de uma inovação literária.
“Colocando o problema da reforma estética entre nós, pouco se salva do passado. Tudo, quase, vai a vaso. A liquidação literária, no Brasil, assume proporções de queima.”
LISPECTOR, Clarice. Laços de família. Rio de Janeiro, editora José Olympio, 1978. décima edição.
Assunto: Traços de existencialismo.
“(...) –O que tens? (...)
Obstinada, ela não saberia responder, estava tão rasa e princesa que não tinha sequer onde se lhe buscar uma resposta.”
SARTRE, Jean-Paulo. O imaginário - psicologia fenomenológica da imaginação. Trad. Arlette El Kaiim-Sartre. São Paulo, editora ática, 1996.
Assunto:Ações que indicam uma inquietação na literatura.
“Vômitos, náuseas, dilatação pupilar, reflexos de convergência ocular, ereção parecem pertencer, com os sentimentos correspondentes, à camada estritamente constituinte. Nada mais fácil de compreender se admitimos que a imagem não é um simples conteúdo da consciência entre outros, mas uma forma psíquica. O resultado é que o corpo inteiro colabora na constituição da imagem.”
LISPECTOR, Clarice. Água viva. Terceria edição. Rio de Janeiro, NOva Fronteira, 1978.
Assunto: Questionamentos de um estado ‘particular’.
"(...) Estou atrás do que fica atrás do pensamento (...) Estou num estado muito novo e verdadeiro, curioso de si mesmo, tão atraente e pessoal a ponto de não poder pintá-lo ou escrevê-lo (...)".
FROMM, erich. . A linguagem esquecida: Uma introducção ao entendimento dos sonhos, conto de fadas e mitos. Trad. Octávio Alves Velho. Rio de Janeiro. Har editores,1983, oitava edição . 190p.
Assunto: A simbologia auxiliando o entendimento.
" O que é um símbolo? Costuma-se definir símbolo como "algo que representa outra coisa". Essa definição parece um tanto decepcionante. Torna-se mais interessante, entretanto, caso no interessemos pelos símbolos que são expressões sensoriais da visão , audição , olfato e tato como representando "outra coisa" que é uma experiência interior, um sentimento ou pensamento. Um símbolo dessa espécie é algo exterior a nós mesmos; o que ele simboliza é algo dentro de nós. A linguagem simbólica é aquela por meio da qual exprimimos experiências interiores como se fossem experiências sensoriais, como se fosse algo que estivessemos fazendo ou que fosse feito com relação a nós no mundo dos objetos. A linguagem simbólica é uma língua onde o mundo exterior é um símbolo do mundo interior, um símbolo de nossas lmas e de nossas mentes."
GRECO, Milton. A aventura humana entre o Real e o Imaginário. São Paulo: editora perspectiva.1987. 225 p.
Assunto: As particularidades humanas.
"A aventura humana é muito mais do que a aventura singular de cada um de nós, porque somos hoje o encontro e o produto de 15 bilhões de anos de existência deste ciclo do Universo, que se expressam, de modo probabilístico, no nosso ser e no nosso aventurar. Também é muito mais do que a aventura de cada um, na medida em que nada existe solto no universo, tudo está ligado a tudo, e o que somos e o que expressamos a tudo se liga, em tudo se reflete, num compromisso total e definitvo."
COUTINHO, Evaldo. A visão existenciadora. São Paulo. Editora Perspectiva,1978. 256p.
Assunto: existencialismo.
"[...] A dependerem de nossas deambulações, salvo nos momentos em que as faces se encaminham para nós, ou as anotamos em virtude de interpostos meios, e então se trata de um estar sema limpidez da presença, as efígies da ausencia nos aguardam de seus recantos a fim de que, pelo favorecimento de nosso intuito ou do acaso em nosso trânsito, elas se verifiquem em nós; e assim obtenham o existir em nós que é o existir da última instância e o único a lhes assegurar a equivalência com os demais seres da ordem fisionômica.[...]"
BLANC, Mafalda de Faria. Estudos sobre o ser II. Lisboa:Fundação Calouste Gulbenkian,2001.
Assunto: Filosofia existencial.
" Na sua limitação e vazio, o ser é também o absolutamente negativo, idêntico ao nada (nichts) e este, na sua imediatez, é o mesmo que o ser. Tal identidade do ser e do nada é o passar (übergehen) de um para o outro na unidade de uma pertença recíproca, a qual, por incluir em si a antítese na sua total imediatidade (a diferença não está aqui ainda determinada), não é pura relação a si imóvel, mas a inquietude (unrube) em si."
GRINGS, Don Dadeus. O homem diante do universo. Porto Alegre: EDIPUCRS.1995.
Assunto: Pensadores existencialistas.
"Hegel elabora um novo método, que parte da tese, como a idéia em si, num eterno solilóquio; passa pela antítese, enquanto a Idéia se aliena nem processo que vai para o tempo e o espaço; e volta para a síntese, num processo ascecional, orientado por sábia finalidade."
TREVIZAN, Zizi. A reta artística de Clarice Lispector. São Paulo: Editora Pannartz,1987.
Assunto: Características existenciais na obra de Clarice Lispector.
"O conflito existencial configurado nos textos de Clarice Lispector acentua-se no reconhecimento da impossibilidade de encontrar a "grande resposta" a todas as indagações filosóficas. O texto surge como desabafo íntimo e solução romanesca do conflito -"O que salva então é escrever distraidamente". A carga experimental da autora é traduzida na ficção, sob a ótica de uma personagem narradora. Através de uma escritura particular conotativa, imprimem-se, no texto, a atitude dialogante e a descida incontrolável às infra-estruturas."
LISPECTOR, Clarice. Perto do coração selvagem. oitava edição. Rio de Janeiro, Nova Fronteira. s/d.
Assunto: Busca por respostas sobre a vida.
" [...]sou tão feliz em sentir que me calo para sentir mais; foi um silêncio que nasceu em mim uma teia de aranha tenra e leve: esta suave incompreensão da vida que me permite viver. [...]"
LISPECTOR, Clarice. A paixão segundo G.H. Sétima edição. Rio de Janeiro, NOva Fronteira, 1979.
Assunto: A aproximação ao nada.
" A hora de viver é tão infernalmente inexpressiva que é o nada. Aquilo que eu chamava de "nada" era no entanto tão colado a mim que me era...eu? portanto se tornava invisível, e tornava-se o nada (...)"
PALMA, Moacir Dalla. Cobradores pós-modernos. Disponível em: < http://e-revista.unioeste.br/index.php/trama/article/view/216/151 > acesso em 26 de abril de 2008. 17:31:06.
Assunto: Pós-modernismo e suas caracteristicas.
“(...)o pós-modernismo torna-se um movimento
intelectual de questionamento, que ao pluralizar as percepções da
realidade enfatiza as transformações setorizadas. Isto é resultado de
lutas desencadeadas no cotidiano pelas minorias sociais, em que a
oposição entre centro e margem demonstram duas realidades
autônomas e homogêneas, criando desnivelamentos entre as classes.
Isso favorece a abordagem a partir do múltiplo, até mesmo pela
formação étnica heterogênea do Brasil. Donde o descentramento do
indivíduo fica evidente a cada nova linha escrita pelos
contemporâneos.”
MOISÉS, Massaud. A criação literária. São Paulo, editora cultrix, décima edição de ordem, s/d.
Assunto: As especificidades do gênero conto.
“O conto de personagem é menos comum. (...) O contista centra sua atenção no exame da personagem, mas tendo em mira que deve obedecer à conjuntura própria do conto, no galope peculiar à narrativa curta e visando à unidade que lhe é inerente. São exemplo desse tipo de conto:” La Ficelle”, de Maupassant, “ Le Remplaçant”, de François Cappée (...). Na literatura brasileira, exemplifica à perfeição esse tipo de conto a obra-prima que é “Feliz aniversário” de Clarice Lispector (...).”
ENGELMANN, Magda Shirley Carvalho. O jogo elocucional feminino. Goiânia, editora da UFG, 1996. 143p.
Assunto: Características de narrativas femininas.
“Quando a mulher escreve, está apontando para o seu próprio eu, mas com seu discurso se disfarça nos vários ‘eus’ que engendra na sua composição ficcional, tentando se (re)cobrir ou mesmo recobrar o espaço em que antes se viu inscrita como imagem-receptáculo das representações masculinas. Os disfarces, as mais variadas máscaras com que a mulher autora busca (re)cobrir-se no discurso mostram o deslizamento do significado, que é a sua luta para a constituição de fala própria -fala-de-mulher-, sob o significante da mulher-que-fala, querendo (inter)agir no (in)consciente do discurso”.
GILES, Thomas Ranson. Historia do existencialismo e da fenomenologia. Segunda edição, São Paulo, Editora da universidade de São Paulo, 1975.
Assunto: Existencialismo como corrente filosófica.
“Em suas origens, a fenomenologia, longe de ser um existencialismo, era uma filosofia das essências. Longe de se interessar pelo conteúdo existencial do fenômeno, que e aquilo que sugere a cada instante a própria experiência, a fenomenologia visava a generalização de seu emprego, considerado universal da pratica. A fenomenologia colocava entre parênteses toda posição da existência e todo dado de fato para desengajar as essências ideais.”
PÓVOAS, Jorge. Angústia e má-fé na liberdade Sartreana. Ideação, Feira de Santana, v.1, n.1, p.94-99, 2001.
Assunto: Caraceterística do existencialismo.
“[...]O fundamento do ser na analítica sartriana é o `para-si`. Um ser que, em seu modo de existir, está condenado a escolher e ao escolher, pode negar-se a si mesmo. O ser aparece como `em si` e como `para si`. O ser `em si` é aquele que apresenta como coisa, como dado, como compacto. O ser `para si` é aquele que se manifesta como vazio, que se preenche de sua própria ação livre; propriamente, é o ser humano como sujeito. O ser `em si`, só é possível na relação com aquele que o percebe, ou seja, com o `para si`. Temos então, o que Sartre chama de fundamento ontológico do conhecimento. A consciência é o primeiro ser, ao qual todos os demais aparecem. Ela é o absoluto em relação aparecer relativo dos fenômenos.”
SILVA, Cléa Goes e. A existência do ser-para-si segundo Jean Paul Sartre.Crítica, Londrina,v.4, n.15, p.327-341. abr/jun 1999.
Assunto: Características da existência.
“É a existência que distingue, dentre os seres vivos, uma cuja estrutura implica uma consciência com poder nadificante e que, por isso, é liberdade que cria a sua própria essência e os valores, organizando e hierarquizando estes, e que é espírito na plenitude do agir.”
LAGOAS, Juliano, OLIVEIRA, Wanderley.A liberdade sartriana.Ideação, Feira de Santana, n.13, p.51-64, junh./jan. 2004.
“Para Sartre, a liberdade é o fundamento sem fundamento de toda essência, é a potencia constitutiva de toda ação. Se procuramos encontrar sua essência, será necessário constituir uma nova potencia constitutiva que a constituiria, o que nos remete novamente a mesma tarefa, a saber, qual a essência desta nova potencia? e, assim, ad infinitum. Na impossibilidade de uma descrição que capture sua essência ou de uma definição que a aprisione num conceito, o para si pode ter da liberdade apenas uma certa compreensão. Esta compreensão possível da liberdade, Sartre propõe alcançá-la. “
BACHELARD, Gaston. A poética do devaneio. São Paulo, Martins Fontes, 2001.
Assunto: A angustia na literatura.
“[...] Todo livro angustiante pode então proporcionar uma técnica de redução da angustia. Um livro angustiante oferece aos angustiados uma homeopatia da angustia. Mas essa homeopatia age sobretudo numa leitura meditada, na leitura valorizada pelo interesse literário. Então dois planos do psiquismo se cindem, o leitor participa desses dois planos e, quando se torna bastante consciente da estética da angustia, está bem perto de descobrir-lhe a facticidade. Porque a angustia é factícia: somos feitos para respirar livremente.”
BRASIL, Assis. Clarice Lispector.Editora organização Simões. Rio de Janeiro, 1969. 139p.
Assunto: Particularidades da obra de Clarice Lispector.
“Como pensamento filosófico estratificado, é o existencialismo Kierkgaardiano que mais se aproxima da atitude tomada por Clarice Lispector em sue último romance: comer barata tem o sentido dupolo de comer a essencia e de flagelação –a queda não é a de Albert Camus: cair para compreender ou acietar o absrudo. A queda é mesmo de Kierkgaard: cair para se levantar purificado.”
SANTOS, Jeana Laura C. A estética da melancolia em Clarice Lispector. Florianópolis, editora da UFSC, 2000. 170p.
Assunto: Características de existencialismo em Clarice Lispector.
“ [...] Sendo a melancolia um sintoma crucial de desconforto, ela é, ao mesmo tempo, a única via de acesso possível para se dramatizar escolhas e rupturas e apontar possíveis caminhos. Camo diz Clarice, numa frase lapidar melancólica ‘só voa o que tem peso’.”.
ROMERO, Silvio. Estudos de literatura contemporrânea.. Edição comemorativa. Org. Luiz Antônio Barreto. Rio de Janeiro, Ed. IMAGO, 2002. 536p.
Assunto: A convulsão de sentimentos humanos.
“O papel da tristeza e da alegria na literatura contemporânea é um sintoma bem pouco para contentar. Os poetas lançaram –se precipitadamente além do termo da estância querida ao seu ideal: a melancolia deixou de ser um estado mais ou menos passgeiro do espírito para se tornar extremo despropósito!”
PONTIERI, Regina.Uma poética do olha. [tese de doutorado]. Disponível em: http://books.google.com/books?hl=pt-BR&lr=&id=Unio37tetAwC&oi=fnd&pg=PA7&dq=clarice+lispector+la%C3%A7os+de+familia&ots=xL3fKFNelg&sig=rrCI5GaT1-kguNkvNKbe73O9ZgY#PPA7,M1. Acesso em 5 mai.2008. 19:38:32
Assunto: Filosofia contemporânea na obra de Clarice Lispector.
“[...] é preciso ter em vista o projeto clariciano de destruição de uma certa concepção de sujeito, da qual decorre o objeto. E aqui recorro ao ensaio de Marilena Chauí “ a destruição da subjetividade na filosofia contemporrânea”, que historia o questionamento daquela concepção, vinculada ao cogito cartesiano, questionamento levado a cabo por vários pensadores neste século.”
Libertè.

"Liberdade é pouco, o que eu quero ainda não tem nome."
É impossível falar de existencialismo sem falar de Sartre, portanto aqui vou falar dele, mais diretamente das suas idéias de liberdade. Para Sartre o sujeito tem que ser livre, e ter liberdade para expressar seus desejos, sentimentos e angústias. Muitos existencialistas, talvez por causa de Sartre, são vistos como pessoas libertinas, sem moral ou escrúpulos. Nesse século nenhum filósofo difundiu tanto suas idéias quanto Jean-Paul Sartre, mas este foi visto como ofensivo. Para Sartre "a vida não tem sentido, Deus está morto e não existe lei moral, o homem é uma paixão inútil." (PENHA 1992, p.40). Ele defendia o existencialismo ateu, afirmando que este é o mais coerente, diz ainda que se Deus existe ele é o único ser onde a existência precede a exência.
Nos contos de "laços de família" também encontramos características sartreanas, como por exemplo no primeiro conto, no qual a personagem principal mergulha em um estranho desejo de liberdade, daí não quer mais ter compromissos sociais por exemplo, e pretende agir de acordo com seus instintos e desejos, como dormir excessivamente, por exemplo, coisa que não fazia até então. O trabalho não é especificamente sobre sartre, mas admitindo a impossibilidade de se falar em existencialismo sem citar esse grande nome creio que as vezes farei algumas relações, portanto valeu essa leve introdução às suas idéias.
Cartas para nós.

Hoje li várias correspondências de Clarice com sua família e com seus amigos, resolvi colocar aqui uma que Clarice recebeu de Carlos Drummond de Andrade, que foi publicada no ano passado.
Por coincidência a carta faz hoje 24 anos.
Querida Clarice:
Que impressão me deixou o seu livro!
Tentei exprimi-la nestas palavras:
– Onde estivestes de noite
Que de manhã regressais
com o ultramundo nas veias,
entre flores abissais?
– Estivemos no mais longe
que a letra pode alcançar:
lendo o livro de Clarice,
mistério e chave do ar.
Obrigado, amiga! O mais carinhoso abraço da admiração do
Carlos
P.S: O livro a que ele se refere é "onde estiveste de noite"
O novo e o incerto.

"Não se pode dar uma prova de existência do que é mais verdadeiro, o jeito é acreditar. Acreditar chorando."
A melancolia na contemporaneidade se tornou o alvo supremo dos sonhadores. O homem moderno e pós-moderno, sobretudo esse último, deixou de vivenciar uma melancolia coletiva, para viver uma melancolia ainda mais agravante, a da solidão. Existem dois tipos principais de melancolias, a ativa e a passiva, essa primeira, é a que causa melancolia aos outros, a segunda é a que torna-se melancólica apartir de outro. Para o pós-moderno, a única saída é a aceitação do mundo tal como está, a desesperança. O mundo contemporâneo nos faz questionar todas as nossas antigas certezas. O sistema, o mercado, tudo indica em nós uma mudança. Segundo Vilaça "com o excesso de escolha e a eliminação da possibilidade do escolher".
Um pouco de singeleza

"O que chamava de crise viera afinal. E sua marca era o prazer intenso com que olhava agora as coisas, sofrendo espantada." Clarice Lispector.
Todo esse assunto de guerra, de crises, de questionamentos está me deixando angustiada (a essa altura eu até deveria estar gostando da angústia, pois até aqui só me foi demonstrado que ela nada nos toma, só acrescenta), agora vou tentar ser mais singela, mesmo que isso fuja um pouco dos assuntos que venho tratando. Ora, não existe uma narrativa feminina sem que haja pelo menos um pouco de singeleza, penso.
Vou falar sobre transformação. Em literatura nada transforma, modifica, mais do que uma viagem. Sempre que um personagem entra em uma travessia (em Clarice Lispector até mesmo uma ida ao mercado é considerado uma travessia, e pode ser analisado como uma viagem), entra também em um processo de busca de identidade, de questionamento, de engrandecimento ou de perda. Em "laços de família", em "amor", e em tantos outros contos, há esse rito, essa purificação por parte do personagem, uma viagem que induz à mudança.
Qualquer viagem que fazemos, por menor que seja, nos possibilita a ver o mundo com outros olhos, a analisar a paisagem, as pessoas com olhos diferentes. Há também as "viagens no tempo", nessas os personagens lembram de sua infância, de sua antiga cidade, casa, pais, enfim... essa "viagem" a trasmutam e induzem-as à mudançã, ao questionamento existencial
A felicidade de ser infeliz

" A extrema felicidade se parece tanto com a infelicidade, ambas são tão dramáticas. Ambas são a vida." Clarcie Lispector.
Eu gostaria ainda de ter o que escrever sobre a felicidade e a infelicidade, segundo Clarice, mas a frase dela que escolhi para abrir meu diário de hoje se encaixou tanto com o objetivo que me propûs que as minhas palavras se tornarão muito vagas diante da dimensão do que ela apresentou tão sutil.
A infelicidade, a tristeza, têm um limiar tão tênue com a felicidade, a alegria, que esses muitas vezes se confundem. Essa é outra característica muito marcante na obra que selecionei para o estudo, do alegria profunda, vem o desespero, o temor; como se esses sentimentos "ruins" fossem necessários para que sejam valorizados os sentimentos bons. Para muitos dos existencialistas o homem só descobre-se como parte do universo quando questiona a sua participação no mundo, o seu "estar", e esse questionamento não passa sem que haja melancolia, tristeza, essas que serão recompensadas com grande alegria, e satisfação caso haja a plena realização da crise, caso seja resolvida a crise existencial pela qual o homem passa. O drama deve ser trazido a tona para que haja plenitude, e ele é trazido.
O caminhar trágico.

"Minha tragédia estava em alguma parte. Onde estava meu destino maior? um que não fosse apenas o enredo de minha vida. A tragédia -que é a aventura maior nunca se realizara em mim." Clarice Lispector
Para Nietzsche só a tragédia pode dar dimensão à existência, e não se pode negar o teor trágico que existe em alguns contos da obra que por mim será pesquisada, laços de família. Hoje li uma correspondência de Clarice, uma carta que ela enviava a irmã, na qual dizia que tem muita vontade de aprender a odiar, pensando nessa sua vontade, a de odiar, Clarice escreveuo conto "O búfalo", que fala de uma mulher que vai em um zoológico e entra em estado epifânico, como em vários contos do livro. A tragédia, para muitos críticos e filósofos, em literatura representa a ascenção do ser, o meio pelo qual o ser pode se elevar, alcançando patamares inalcançáveis em um estado de normalidade. Nada mais sartreano. O homem precisa mergulhar na sua parte mais horrível para que possa alcançar a razão de seus atos, de suas vontades. O desejo de odiar, de matar, de morrer, talvez, seja um dos meios "anormais" com o qual o ser conta para atingir a plenitude e responder aos questionamentos propostos pelo existencialismo. Como Clarice admite por muitas vezes não ter "vivido" uma tragédia, não pôde atingir o ápice da existência, isso em sua pessoalidade, só no lugar mais profundo do desespero é que se pode encontrar o que se procura. E o que se procura afinal?
A existência certa.
"Ouve, por eu ter mergulhado no abismo é que estou começando a amar o abismo de que sou feita."(Clarice Lispector)
Como já foi dito existem várias correntes filosóficas, cada uma com sua particularidade e definição, apesar de a definição de "existencial" não ser muito clara. Quero delimitar mais a ligação entre qual corrente existencialista que falarei e relacionarei à obra de Clarice Lispector. Decidi que relacionarei a algumas características gerais do pensamento Sartriano, mas relacionarei mais especificadamente ao existencialismo proposto por Kierkgaard, filósofo sobre o qual já falei em posts anteriores. Em Kierkgaard, hoje li uma definição que me ficou muito clara, o existencialismo se configura de uma forma muito diferente da forma como se configura para Albert Camus, por exemplo, a queda, para Camus é o meio pelo qual o homem passa e só a partir daí percebe o absurdo, já para kierkgaard a queda serve para que o sujeito se levante purificado. Bem observou Assis Brasil, autor ao qual tive acesso pela biblioteca central da UFG.
sexta-feira, 2 de maio de 2008
A dor da produção.

"Não, não é fácil escrever. É duro como quebrar rochas. Mas voam faíscas e lascas como aços espelhados". (Clarice Lispector)
Tenho observado que para alguns escritores, escrever é visto com um fardo, como uma missão, pesada e difícil de se cumprir.Imagino que a arte, para nascer deve causar mesmo uma sensação diferente, só não havia me ocorrido, antes de ler algumas citações que essa sensação poderia ser dolorosa. A crise da produção artística desperta muito interesse, entendo que o artista sente que alguma alma incômoda tome parte de seu corpo, use a sua existência como meio de comunicação. É assim mesmo, místico. Por outro lado, a escrita é proposta também como uma forma de escape, um trieiro, estreito, mas que deve ser percorrido para que haja a resposta, o resultado da busca.
Isso tudo é muito belo, e é justamente o que faz com que a arte, mesmo depois de tão criticada, estudada, ainda tenha suas características relacionadas ao mistério.
Associação de idéias.

"Onde aprender a odiar para não morrer de amor?" (LISPECTOR, "Laços de família")
Lendo o último post, sobre os três estágios da existência, proposto por Kierkgaard, e pensando em um personagem dos contos de Clarice Lispector, quero tentar associar um dos estágios a um dos personagens. Selecionei a personagem de "Laços de família", do conto "feliz aniversário". A aniversariante, uma senhora que na ocasião fazia 89 anos e que está mergulhada em um vazio tão grande, que nem mesmo recebe um nome. O conto demonstra que a mulher idosa representa quase que uma missão para sua família, que vê nela, uma peça, que deve ser preservada. No decorrer da festinha de aniversário a senhora vai demonstrando que mesmo idosa, está mergulhada em várias questões existenciais, que não está satisfeita, e até angustiada com a vida que tem levado, e com o modo que é visto pelos familiares. " E de súbito a velha pegou na faca. E sem hesitação , como se hesitando um momento ela toda caísse para a frente, deu a primeira talhada com punho de assassina." (LISPECTOR), percebo que essa senhora analisa a vida de sua família, com tremendo preocupação estética, e já não se vê mais membro dela. Acredito que ela esteja mergulhada na primeira fase existêncial proposta por Kierkgaard, de liberdade total, sem mais preocupações com as pessoas ao seu redor, ser se preocupar com o que vão dizer, vão falar. Está na fase estética. "...impotente à cadeira, desprezava-os." (LISPECTOR). Devagar, sua empregada ia revelando as "novas atitudes" da senhora, como cuspir se reprovasse alguma comida, o que só confirma sua angústia e questionamento existencial. O mais lindo de tudo é a forma como o conto é conluído, com as pessoas indo embora, e a vida tomando o mesmo rumo, induzindo-nos a pensar que o questionamento, a procura pela razão da existência nunca acaba, é uma constante insaciável.
quarta-feira, 30 de abril de 2008
O mergulho e a liberdade.
"O homem é espírito, é a síntese de finito e infinito, de temporal e eterno, de liberdade e necessidade." (KIERKGAARD)O desespero do homem é o algo a mais que o diferencia dos outros animais, por isso o desepero é a prova do existir, e não do rebaixar-se. Para kierkgaard a existência do homem se procede em 3 estágios; o estético, o ético e o religioso.
No estado estético ocorre a busca de sentido para a existência, nessa busca ele está sob domínio dos sentidos, dos sentimentos, procura o prazer nos instantes, faz o que lhe "dá na telha", mas acredita que essa possibilidade de agir sem impedimento nenhum não lhe traz satisfação. Permanecer nesse estágio é condenar-se à depravação, e mergulhar em uma existência vazia. No segundo estágio, que é o ético, mesmo com o espírito livre o homem se limita pelas imposições sociais, esse estágio conscientiza o homem de suas falhas, mas não consegue lhe responder pelas perguntas existenciais as quais ele anseia. O último, o estágio religioso, reina sobre os outros estágios, está acima da razão e da moral pois só a fé responde as questões ligadas ao mal.
Tendo entendido esses estágios da existência podemos analisar de uma forma mais direcionada o estágio de existência em que se encontram alguns dos personagens de "laços de família". Alguns estão no estágio ético, com a liberdade avassaladora, outros em um estágio estético, com a mesma liberdade e ainda sem a preocupação com os valores sociais e outros, e menos, em um estágio religioso, onde o personagem acredita descobrir a função do mal e descobre assim o motivos de suas angustias, consequentemente, o mistério do existir.
terça-feira, 29 de abril de 2008
Quando a mulher escreve...

"vos pergunto:
– Qual é o peso da luz?
E agora – agora só me resta acender um cigarro e ir para casa. Meu Deus, só agora me
lembrei que a gente morre. Mas – eu também?!
Não esquecer que por enquanto é tempo de morangos."
Sim (LISPECTOR, 1984, p. 97-8).
Não vim aqui dar impressões feministas. Eu não sou feminista. Mas quero fazer uma breve observação sobre a narrativa feminina, esse tipo tão especial. A narrativa que parte de uma mente feminina (não de um eu-lírico feminino, mas de autenticidade feminina) é uma narrativa que trás consigo toda a riqueza da história da mulher na sociedade. Suas lutas frustradas, suas conquistas, os preconceitos que sofraram, a opotunidade tão nova de escrever. A mulher escreve com a alma, mesmo que não seja poesia, a linguagem é translúcida, mágica, carregada de um sentimento típico da mulher, que registra a possibilidade de reprodução, a sensibilidade de quem é capaz de carregar em si uma outra vida, e que só agora pode falar o que pensa sem ser diminuída.
A escrita masculina é uma escrita que deve ser respeitada, os homens se destacam por suas observações racionais, e alguns por terem mais sensibilidade do que outros. Os grandes nomes, os grandes poetas, tudo isso são conquistas masculinas que não podem ser consideradas. Mas, e se as mulheres tivessem voz nessa época? Com toda a certeza hoje teríamos informações muito mais minusciosas do que temos sobre fatos históricos, sobre a família, sobre a sociedade em geral. A sociedade é masculina, isso é fato. Por isso talvez a escrita da mulher seja tão poética, como se pedisse passagem, como se escrevesse humildemente, gentil, reconhecendo a grandiosidade que existe nessa possibilidade de traduzir coisas tão pessoais através das palavras. Quando uma mulher se refere ao outro ela desvenda o olhar tão possibilitado que tem do mundo, com todas suas peculiaridades, seus sonhos, seus desesperos, suas crenças. Quando uma mulher escreve ela revela, a si e ao mundo.
segunda-feira, 28 de abril de 2008
A dor da guerra

"(...) o que ela era, era apenas uma pequena parte de si mesma". (Clarice Lispector)
A segunda grande guerra mundial influenciou vários poetas, escritores, físicos, e inclusive donas-de-casa, que deixavam transparecer o seu desentendimento diante das novas possibilidades de ação humana. A capacidade do homem em destruir, em massa, o seu semelhante, de desencantar o sentido da vida em alguns minutos, através da guerra, se mostrou muito influente na literatura; tanto a primeira, que coincide com o surgimento da filosofia existencialista e com a fenomenologia, quanto com a segunda, que antecede o surgimento de “laços de família”.A literatura “pós-guerra” tem características muito peculiares, repletas da “dor do mundo”, da capacidade de o homem se ver agora como sendo cheio de façanhas e se sentir, por um lado um fraco, por estar submisso as agressões e decisões de grandes potências bélicas, como por outro lado, um deus, que tem a capacidade de criar objetos com tão grande potência que pode degradar e disseminar uma quantidade enorme de vida.
Isso não pode ser desconsiderado...
P.S: A imagem é de um quadro de Clarice pintado por De Chirico, em 45, no fim da segunda guerra mundial.
Nem tão distantes assim...

“Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: quero é uma verdade inventada” (água viva)
A fenomenologia e o existencialismo, como estudo de essencia, de subjetividade são confirmados cada vez mais nos contos que tenho lido. Logo no primeiro conto de “laços de família”, “devaneio e embriagez duma rapariga”, fica claro que a personagem mergulha em um estado de questionamento existencial, a partir de uma nova sensibilidade que tem do mundo. “Sua sensibilidade incomodava sem ser dolorosa, como uma unha quebrada” (LISPECTOR, p.11).
Tentarei aproximar-me mais um pouco da leitura sobre existencia e agora sobre a fenomenologia, que Benedito Nunes já havia detectado na poética Lispectoriana. Procurei coincidências de datas entre as filosofias que quero relacionar à contistica lispectoriana, vejamos:
Fenomenologia: nasceus na segunda metade do séculoXIX, a partir de estudos sobre a intencionalidade da consciência humana.
Existencialismo: Nasceu em meados do século XX, considera cada ser como único e mestre de suas vontades.
Clarice Lispector é de 1920, o que não a posiciona longe do surgimento das correntes filosóficas que relacionarei à sua obra.
domingo, 27 de abril de 2008
A bruxa

“Um nome para o que eu sou, importa muito pouco. Importa o que eu gostaria de ser."
Clarice Lispector
Clarice Lispector nasceu na Ucrânia, na verdade, nasceu a caminho das Américas, pois seus pais eram imigrantes. Dezembro de 1920 era a data. Recebe o nome de Haia, mas por iniciativa de seu pai todos da família mudam de nome, então nossa escritora recebe o nome de Clarice. Perde a mãe com 10 anos de idade, no mesmo ano escreve "pobre menina rica". Estudou direito. Casou-se com um diplomata, razão pela qual conheceu o mundo todo. Em 1942 escreve seu primeiro romance, "Perto do coração selvagem" que é bem aceito pela crítica. Em 1966 Clarice dorme com um cigarro acesso, o que faz com que tenha o corpo parcialmente queimado e sua mão direita quase amputada. Morre em 1977, um dia antes de ser aniversário. Clarice teve uma vida muito interessante, e era uma mulher muito misteriosa, disse que nunca escreveria uma biografia, e não escreveu, mas em sua obra, bem como em suas correspondências dá pra se notar traços de sua personalidade.
sábado, 26 de abril de 2008
Um pouco de filosofia

"(...) Sou tão feliz em sentir que me calo para sentir mais; foi em silêncio que nasceu em mim uma teia de aranha tenra e leve: esta suave incompreensão da vida que me permite viver. (...)" (LISPECTOR.s/d. p.16
Para Kierkegaard a existência é uma maneira de o homem expor-se a si mesmo, é a expressão de uma existência singular, individual, um pensamento motivado por uma situação muito particular. Esse pensador, viveu em um ambiente de puritanismo luterano, e teve uma vida cheia de fatos que não podem ser ignorados e nem dispensados na relação dele com sua filosofia. Ele se liga a Hegel pela contrariedade de idéias, a oposição.
Para Hegel a idéia é absoluta, ele busca condensar a realidade num sistema e diz que o indivíduo é uma de suas fases. O que contraria a idéia de Kierkkegaard, que diz que o indivíduo não pode ser a mera manifestação da idéia, a existência não pode ser explicada através de sistemas concretos, conceitos. E ainda afirma que na vida pessoal de cada filosofo existencialista ele mesmo não usam as alternativas que recomendam aos outros. Kierkegaard admira a subjetividade e a coloca como verdade; afirma que todo conhecimento deve se ligar a existÊncia, à subjetividade.
O existir para o romântico e para o moderno

"Tudo acaba mas o que te escrevo continua" (LISPECTOR, 1978, p.14)
Em alguns romancer modernos o tédio é o estado inicial da angústia. O mundo da quotidianeidade não permite ao homem o estar em si. Muitas vezes, se conhecemos um pouco sobre o pensamento existencialista começamos a nos questionar a existência desses tipos de pensamentos nos romances românticos. Um erro.
No romantismo, apesar das características angustiantes que lemos com muita frequência, tanto na prosa quanto na poesia, a realização existencial não acontece como no modernismo. Tracei um paralelo que possibilita absorver melhor essa diferença de angústias expressas nessas duas diferentes correntes literárias:
Para o romântico a angústia não é universal, ela se dá de uma forma muito particularizada, individual, o sofrimento passa a ser mais uma indagação superficial sobre o amor do que um questionamento que atinja o nível de epifania, por exemplo. Já no modernismo a angústia é expressada de uma forma universal, ela pode ser identificada de uma maneira mais generalizada, não se trata apenas de um incômodo pessoal ou de um grupo delimitado, ela ultrapassa o mero “si” e chega a um lugar mais adiante, uma dor não só de uma alma, mas de todas as almas, um incômodo contextualizado do homem pós-guerra.
O romantismo, também surgiu de uma nova sociedade, da sede por mudanças, adequação ao novo modelo social e econômico, mas o modernismo e o pós modernismo, mas do que mudanças sociais e econômias, atingiu uma mudança psicológica, comportamental na vida do homem, ora, agora teríamos que conviver, e adequar todas as artes e todas as ciências à realidade cruel que dominava, assuatava o homem do pós-guerra. Esse evento foi primordial para delimitar novos rumos e pensamentos. No Brasil, o período dramático que reprensentou o dim da guerra, coincidiu com o período de repressão e censura, de forma que os pensamentos europeus de liberdade de expressão, de liberdade de expressão depressiva, sobretudo, eram colocadas nas obras de uma forma muito velada, muito particular, portanto, cabe a nós pesquisadores, identificar onde há correntes filosóficas ou idealistas em autores ou obras que, mesmo consagradas, não deixaram transparecer a carga de influência depressiva e angustiante que era causado pela depressão pós guerra. Os tempos de horror, mesmo findados, deixaram em nós e principalmente nos divugadores do conhecimento, das artes, da literatura, um resquício de idéias que enriquecem ainda hoje as obras.
Visão geral sobre o existencialismo e a possibilidade de ele se realizar na ficção, sobretudo na prosa.

"Toda compreensão súbita é finalmente a revelação de uma aguda incompreensão. (...)" (LISPECTOR, 1979, p.102)
A existência está diretamente ligada a essência do ser humano, os dois coexistem, porém a essência é a razão da existência dos seres, porém a definição concreta e indiscutível a respeito do existêncialismo não é aceitável, já que esse é também metafísico. Existir é angustiar-se e lidar também com outros sentimentos e incômodos humanos, entre eles a tristeza e a ansiedade.
Pensando no existêncialismo como essência e vivência, afirma José Fenandes que a representação deste só pode ser estudade e analizada em literatura se fizermos um paralelo com o romance, já que esse é o único gênero no qual existe uma descrição da vivência, e existir nada mais é do que viver.
Segundo Merleau-Ponty “A obra de um romancista está sempre sustentada por duas ou três idéias filosóficas”, e essa a intenção da pesquisa, encontrar no romance características do existencialismo francês, que é considerado uma corrente filosófica.
Na arte, a existência consiste em a posse do homem em se sentir viver, portanto a prosa é mais completa para se fazer o paralelismo entre literatura e existência, pois nela podemos identificar o homem sendo e existindo. Muitas vezes nos questionamos a necessidade do questionamento existencial. Ele existe justamente para fins de conscientização, tanto é que “oficialmente” o existencialismo como conhecemos hoje surgiu no período pós guerra, apesar de que “embriões” dessa forma de pensamento já existiam antes das décadas de 40 e 50.
As características, colocadas de um modo muito geral sobre o comportamento de uma pessoa dita existencialista são; a livre escolha, a auto-afirmação e o amor pessoal –e tudo isso é impossível sem que haja angústia e sofrimento. Para Sartre, um dos expoentes nesses estudos o homem é um sofredor poque é capaz de reconhecer, de alguma forma o seu estado de inferioridade. O homem sartriano é angústia, e o tédio e o estágio inicial de angustiar-se.
Objetos e nomes

"O que estou escrevendo não é pra se ler - é pra se ser." (LISPECTOR, 1978,p.38)
Lendo o livro " A reta artística de Clarice Lispector", de Zizi Trevisan pude ter um apoio sobre a monografia que pretendo criar, Zizi Trevisan notou em Clarice Lispector, especificamente em seus romances, uma certa vinculação à fenomenologia e ao existencialismo de Kierkgaard, Heidegger e Sartre. Tentarei relacionar estudos sobre esses filósofos a personagens dos contos Lispectorianos, sobretudo em "Laços de família". Tentarei falar mais especificamente sobre cada um desses pensadores, bem como da própria Clarice Lispector, procurando traçar um leve paralelo entre suas idéias e só então entrar na análise existencial contida em seus contos. Para Clarice escrever e ser eram atos inseparáveis, então, desde já podemos ver o quanto a existência é influente em sua obra ficcional.
Para o nome do blog selecionei uma frase contida no romance " O Lustre", seu segundo romance, de 1946. A proposta de identificar em contos, com narrativas bem breves, características existenciais pode ser muito arriscada, pois a existência se configura pela vivência, então se relacionasse o tema a um romance esse traço poderia ser identificado com mais facilidade, mas, atráves de hipóteses, teses, dissertações e pesquisa tentarei apresentar ligações entre o tema proposto e o gênero selecionado por mim.