sábado, 26 de abril de 2008

O existir para o romântico e para o moderno


"Tudo acaba mas o que te escrevo continua" (LISPECTOR, 1978, p.14)

Em alguns romancer modernos o tédio é o estado inicial da angústia. O mundo da quotidianeidade não permite ao homem o estar em si. Muitas vezes, se conhecemos um pouco sobre o pensamento existencialista começamos a nos questionar a existência desses tipos de pensamentos nos romances românticos. Um erro.

No romantismo, apesar das características angustiantes que lemos com muita frequência, tanto na prosa quanto na poesia, a realização existencial não acontece como no modernismo. Tracei um paralelo que possibilita absorver melhor essa diferença de angústias expressas nessas duas diferentes correntes literárias:

Para o romântico a angústia não é universal, ela se dá de uma forma muito particularizada, individual, o sofrimento passa a ser mais uma indagação superficial sobre o amor do que um questionamento que atinja o nível de epifania, por exemplo. Já no modernismo a angústia é expressada de uma forma universal, ela pode ser identificada de uma maneira mais generalizada, não se trata apenas de um incômodo pessoal ou de um grupo delimitado, ela ultrapassa o mero “si” e chega a um lugar mais adiante, uma dor não só de uma alma, mas de todas as almas, um incômodo contextualizado do homem pós-guerra.

O romantismo, também surgiu de uma nova sociedade, da sede por mudanças, adequação ao novo modelo social e econômico, mas o modernismo e o pós modernismo, mas do que mudanças sociais e econômias, atingiu uma mudança psicológica, comportamental na vida do homem, ora, agora teríamos que conviver, e adequar todas as artes e todas as ciências à realidade cruel que dominava, assuatava o homem do pós-guerra. Esse evento foi primordial para delimitar novos rumos e pensamentos. No Brasil, o período dramático que reprensentou o dim da guerra, coincidiu com o período de repressão e censura, de forma que os pensamentos europeus de liberdade de expressão, de liberdade de expressão depressiva, sobretudo, eram colocadas nas obras de uma forma muito velada, muito particular, portanto, cabe a nós pesquisadores, identificar onde há correntes filosóficas ou idealistas em autores ou obras que, mesmo consagradas, não deixaram transparecer a carga de influência depressiva e angustiante que era causado pela depressão pós guerra. Os tempos de horror, mesmo findados, deixaram em nós e principalmente nos divugadores do conhecimento, das artes, da literatura, um resquício de idéias que enriquecem ainda hoje as obras.

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